Descrição
O cowboy e o gangster são os dois grandes personagens do cinema americano do séc. XX: dois homens armados, como nos lembra o autor deste ensaio clássico sobre a violência na cultura popular dos EUA.
Roberto Warshow colaborou com as principais revistas intelectuais de seu tempo, e morreu muito cedo, aos 37 anos, em 1955. Em sua nota introdutória a este volume, o jornalista e editor Matinas Suzuki Jr. escreve: “Para Warshow, que dedicou a maior parte da vida intelectual ao cinema, a expressão ‘cultura popular’ tem um significado específico. Ela se refere à zona ambígua em que certas realizações da então chamada cultura de massas são tão bem-feitas que frequentam o panteão das grandes obras de arte.”
“Enquanto o cowboy se impõe pela aparência de controle inabalável, a primazia do gangster reside na ideia de que pode perder o controle a qualquer momento”, compara Warshow. Para ele, ao contrário do que pensa o senso comum, o herói do faroeste não é um homem livre cavalgando em um cenário amplo: ele é um ser preso às convenções do gênero cinematográfico e a um código de honra que não pode trair, mesmo que o revólver em sua cintura indique seja um homem que participa da violência. O cowboy não luta para obter vantagens ou para defender o que é certo, “mas para reafirmar o que é”.
Um cowboy é um herói solitário. Ele nunca pedirá ao amor mais do que pode dar; nós o vemos frequentemente “em situações em que amar ou ser amado, na melhor das hipóteses, é irrelevante.” O cowboy, no fundo, não está defendendo a lei, pois vive em mundo que, na verdade, não tem lei. O que ele procura reafirmar, a cada filme, é o seu próprio senso de justiça.
Robert Warshow se comprazia em fazer comparações do cinema com a literatura. Sobre seu método de trabalho, certa vez escreveu: “Eu não levo Henry James ao cinema e nem o cinema a Henry James, mas espero ter mostrado que o homem que vai ao cinema é o mesmo que lê Henry James”.
AUTOR
ISBN
PÁGINAS
Robert Warshow
9786583744609
48
